Programação geral 6ºSNHH

Caros participantes do 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia,

Segue abaixo o arquivo com o caderno de programação com os dias, locais e  horários  das conferências, mesas, oficina, sessões de comunicação livre, mini-cursos e lançamento de livros.

Caderno de Programação – 6 SNHH

Esperamos vocês em Agosto!

 

Lista das repúblicas – Hospedagem 6ºSNHH

Pessoal, organizamos um arquivo com a lista das repúblicas que oferecerão hospedagem durante o período do SNHH. A lista foi organizada em ordem alfabética e consta, entre outras informações, o valor e a forma de contato com a república. Foi organizado um grupo no FACEBOOK com o intuito de facilitar ainda mais o contato entre república e convidados.

Novamente, aproveitamos a oportunidade para agradecer a todas as repúblicas que se cadastraram.

Aqui você encontra a lista em PDF Repúblicas hospedagem 6SNHH, acesse!

 Até agosto!

LISTA DE REPÚBLICAS – Hospedagem

6º SNHH (20 a 23 de agosto, Mariana-MG)

República

Endereço

Localização

Contato

Valor (dia)

Observações

MARIANA

 

Cangaço

Rua Antônio Olinto, 87A, interfone 97. Bairro Centro. Próxima ao ICHS e ao comércio (Bancos, supermercados, padarias)  (31) 35582307Facebook 20 reais Internet wi-fi e TV a cabo.
Não oferece colchões ou roupa de cama.
Casa grande e arejada.

 

Casa do Wellington

Rua São Gonçalo, Bairro São Gonçalo. Localiza-se a 30m da República Mandacaru e 15 minutos do local do evento.  (31) 35571105 ou (31) 94468626 10 reais Oferece 3 vagas.  3 colchões disponíveis, um quarto livre e internet wi-fi. Ambiente tranquilo.Necessários roupa de cama e travesseiro.

 

Choppana

Rua Dom Viçoso, 185. Centro Mariana. Rua do jardim – Próximo ao ICHS (5min) A república localiza-se em uma das principais ruas de Mariana, no centro histórico da cidade. A república fica a 5 minutos do local do evento e conta com uma ótima infra-estrutura. (31) 35585281/87067316 Mara Júnia
marajunia@hotmail.com

Facebook

Valor a combinar A república disponibilizará cerca de 30 vagas  e pede para levar colchão e roupa de cama. 

 

Cheia de Graça

Rua do Catete, 209. Apt 203A A república localiza-se em frente ao ICSA e a 10 min do ICHS. Perto de pontos de ônibus e centro comercial. (31)35581527 / 94775654/92787644Facebook Valor a combinar Wi-fi disponível

 

Chora Rita

Rua Silva Jardim, 67, Centro de Mariana  Pouco acima da Praça Gomes Freire (Jardim), a 5 minutos do local do evento. (31) 3557 3985 Valor a combinar A combinar

 

 

Divina Comédia

Rua Prefeito João Sampaio, 108. Bairro São Gonçalo. A poucos minutos do centro comercial de Mariana e do local do evento. (31) 3557-2970 25 reais Levar roupa de cama

 

Intocáveis

Rua Dom Viçoso, 205. Centro, Localiza-se em uma das principais ruas de Mariana, no centro histórico da cidade. A república fica a 5 minutos do local do evento e perto de padarias e lanchonetes (31) 3557 1978 /  9349-7724 15 reais 4 vagas

 

 

Lugar Nenhum

Praça Gomes Freire – nº 278 / Centro – Mariana A república está localizada em frente a principal praça, a 5 minutos do local do evento, perto de bancos, supermercados, padarias, farmácias, restaurantes e os principais pontos turísticos da cidade. replugarnenhum@yahoo.com.br(31) 3558-2463
(31) 9386-8699 (Renata / Tim)
(31) 8501-2390 (Tatiany / Oi)

Facebook

20 reais 15 vagasAcesso livre a internet banda larga, café da manhã e confraternização (Quem quiser participar, contribuir com um acréscimo de 10,00 no dia)
no último dia entre os hóspedes. Necessário colchonete e roupa de cama.

 

Kaxeta

(31)35573182

 

Mandacaru

Rua São Gonçalo, 155, Bairro São Gonçalo Próxima ao centro comercial de Mariana e a 10 minutos do local do evento (31)3558-1727/ 031-96140440 / 86377241Facebook

 

10 reais 4 vagas. Necessário colchonete e roupa de cama

Maresia

Rua Dr. Diogo De Vasconselos Nº100 Galego 5 minutos do ICHS, 5 do ICSA e de tudo que tem no centro
(31)35574299/99737701

 

25 reais 6 vagas, oferece internet wi-fi

Maria Fumaça

Rua Dom Viçoso, 214 – Centro – Mariana Poucos minutos do local do evento. (31) 9375 7221 15 reais A república oferece 3 vagas e pede para levar colchonete.

Rasga Saia

Travessa Salomão Ibrahim, 73 A – Centro 4 minutos do ICHS e 8 minutos do ICSA.
Próximo de restaurantes, padarias, farmácias e ao lado da Praça Gomes Freire (Jardim)
(31)3558- 51 33 20 reais Café da manhã e acesso a internet. Levar roupa de cama e colchonete

Rua Dom Pedro II – Bairro Chácara Localiza-se dentro do campus da UFOP em Mariana. Facebook 15 reais Possui internet sem fio

Terra de Godah

Rua Alphonsus de Guimarães n° 49, Centro. A república localiza-se no centro de Mariana, próximo aos bancos, supermercados e farmácia e a 10 minutos do ICHS. (31)3558-1498(31)8778-1501Facebook   20 reais 3 vagas femininas.Café da manhã. Não é necessário colchão ou roupa de cama. 

Vúlvaros

Travessa Salomão de Vasconcelos n. 90 Bairro Chácara – Mariana 5 minutos do local do evento  (31) 3557-2535 A combinar Sofá cama disponível e casa grande. Vagas masculinas e femininas

OURO PRETO

Calamidade Pública

Rua Camilo De Brito, 50. Centro. Ouro Preto Localiza-se próximo ao centro histórico da cidade de Ouro Preto. É perto do ponto do ponto de ônibus que vai para a cidade de Mariana. (31)3551-0483 20 reais A república disponibiliza 40 vagas.

Cantinho do Céu

Rua Cláudio Manoel da Costa, 110 Centro – Ouro Preto 100 metros da Praça Tiradentes, ao lado da Feira de Pedra de Sabão e da Igreja São Francisco de Assis FACEBOOK A combinar Disponibiliza colchonete e levar roupa de cama.

Nossa Casa

Rua Padre Antônio Gabriel de Carvalho, nº 89, bairro Antônio Dias –  Ouro Preto Próxima da igreja Nossa Senhora da Conceição. Localizadas a 10 minutos da Praça Tiradentes. (31) 35514083 ou 92721261 A combinar 5 ou 6 vagas, levar roupa de cama e banho

Xamego

Centro histórico de Ouro Preto, na Rua Salvador Trópia, 181, Centro. Atrás da Praça Tiradentes, muito perto do ponto de ônibus para Mariana. (31)3552-3225
e-mail: republicaxamego@hotmail.comFacebook
15 reais Disponibiliza colchonete, sendo necessário apenas roupa de cama.

CRONOGRAMA 6º SEMINÁRIO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA

Divulgamos abaixo algumas datas importantes do evento, fiquem atentos aos prazos:

1º DE JULHO – PRAZO MÁXIMO DE RECEBIMENTO DAS CARTAS DE ACEITE
20 DE JULHO – DIVULGAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO GERAL DO EVENTO
22 DE JULHO– PRAZO MÁXIMO DE ENVIO DOS TEXTOS COMPLETOS PARA PUBLICAÇÃO NOS ANAIS DO EVENTO

Aproveitamos a oportunidade para divulgar as normas de publicação dos textos completos. Não haverá formatação do conteúdo do texto, portanto, é de extrema importância que as normas sejam devidamente seguidas.
1. O texto deve conter no máximo 10 (dez) laudas (ou até 22.000 caracteres com espaços).
2. O arquivo deve ser enviado em formato Word, extensão “doc”.
3. Fonte Times New Roman 12 e espaçamento 1,5.
4. Margens: superior 3 cm, inferior 2 cm, esquerda 3 cm e direita 2 cm.
5. A autoria (nome completo) deverá vir após o título, à direita. Em nota de rodapé (asterisco) deve ser colocada a Instituição de origem, titulação e agência financiadora, quando for o caso.
6. Os textos não deverão conter tabulação, colunas ou separação de sílabas hifenizadas.
7. As citações de até três linhas devem constar entre aspas, no corpo do texto, com o mesmo tipo e tamanho de fonte do texto normal. As referências devem indicar entre parênteses nome do autor em letras maiúsculas, ano de publicação e páginas (SILVA, 1993: 11-14).
8. As citações a partir de quatro linhas devem ser em Times New Roman, tamanho 11, com recuo esquerdo de 2,5 cm. As referências devem constar no corpo do texto, entre parênteses, como no exemplo acima;
9. O uso de notas de rodapé deve ter apenas caráter explicativo/complementar. Devem ser numeradas em algarismos arábicos seqüenciais (Ex.: 1, 2, 3, etc.) na fonte Times New Roman 10 e espaçamento simples;
10. As referências bibliográficas deverão ser colocadas no final do texto e de acordo com as regras da ABNT, dispostas em ordem alfabética por autor.
 11. As páginas devem ser numeradas (margem inferior direita), incluindo a primeira página.
Comissão Organizadora do 6º SNHH

ESTATÍSTICAS DO 6º SEMINÁRIO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA – INSCRIÇÕES

Após 76 dias, as inscrições para o 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia foram encerradas ontem e já temos alguns números oficiais do evento. Aqui estão eles:

 

  • Ouvintes: 185

  • Mini-cursos: 186

  • Comunicação Livre: 54

  • Simpósios Temáticos: 286

  • Oficina de Ensino e Teoria da História: 45

TOTAL DE INSCRIÇÕES: 756

 

Obrigado a todos aqueles que se inscreveram e que farão parte da história desta edição do SNHH.

Nos vemos em Mariana em Agosto

A Comissão Organizadora

Cartazes Oficiais dos Simpósios Temáticos do 6SNHH (2) – Inscrições até 10 DE JUNHO

Lançamos a segunda e última série de cartazes oficiais dos Simpósios Temáticos do 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia.

Lembramos que as inscrições foram prorrogadas até o dia 1o de junho (próximo domingo).

Para se inscrever, acesse o site do 6SNHH.

***

 

 

 

Ementa: A escrita da História das Américas assumiu formas as mais diversas, acompanhando mudanças paradigmáticas advindas de debates historiográficos e epistemológicos ao longo dos séculos. Durante todo o período colonial, e em boa parte do território explorado e ocupado por europeus, houve o registro, por escrito, das desventuras e experiências ali vividas: o contato com indígenas, a montagem dos mecanismos administrativos, as experiências de catequese, as revoltas e rebeliões, o cotidiano, dissensões e acordos, as guerras etc. Os autores desses relatos foram, em muitos casos, religiosos, funcionários da burocracia, indígenas educados em colégios, soldados e toda sorte de pessoas alfabetizadas em um mundo profundamente iletrado.

Ao longo do século XVIII, a partir de mudanças na historiografia europeia sobre o Novo Mundo, passou-se a fazer severas críticas a esses relatos coloniais. Escrever uma nova História da América tornou-se o eixo central da renovação cultural promovida pelos Bourbon, mas também houve mudanças na Europa do Norte e respostas americanas ao que se convencionou chamar de “Polêmica do Novo Mundo”. Grosso modo, passou-se a privilegiar como fontes primárias os dados produzidos pela burocracia colonial, chamadas de “fontes públicas”.

No XIX, o debate sobre as fontes e o que conferia legitimidade ao texto histórico sofreu novas mudanças, especialmente com o advento da História nacional, da publicação de textos coloniais e do intenso intercâmbio intelectual entre eruditos norte-americanos, hispano-americanos e europeus.

Ainda que tais mudanças paradigmáticas e heurísticas não tenham se cristalizado de forma retilínea e progressiva, elas criaram as bases da historiografia do século XX, seja pela aceitação, seja pela negação de seus pressupostos científicos e metódicos, de crítica interna e filológica.

Este simpósio tem por objetivos entender essas diversas maneiras de se escrever história nas Américas, analisar os intercâmbios entre eruditos, as formas de crítica documental (além do próprio estatuto do que era considerado documento), a publicação, circulação e as formas de leitura do texto historiográfico, desde tempos coloniais até a produção mais recente sobre o continente.

 

 

Ementa: Desde a emblemática obra de Giorgio Vasari, no século XVI, até as recentes discussões a respeito da compreensão histórica do fenômeno artístico, a historiografia da arte integra o campo do saber humanístico. Assim, este Simpósio tem como proposta promover um diálogo a respeito da historiografia e da teoria da arte desde as origens da história da arte no mundo moderno até as variadas correntes interpretativas da atualidade, privilegiando métodos e abordagens. Considerando a diversidade dos autores e das vertentes historiográficas no desenvolvimento da disciplina, importa estabelecer neste espaço uma discussão baseada em duas grandes linhas. Uma, acerca de problemas teóricos da historiografia da arte concretizados nos escritos dos historiadores que fundamentaram e permitiram o desenvolvimento da História da Arte. Outra, que procura compreender abordagens e métodos proporcionados pela disciplina na atualidade, refletindo sobre o fenômeno artístico em sua pluralidade e complexidade, debatendo diferentes aspectos de sua produção, circulação, legitimação e interpretação. Nesse sentido, o Simpósio pretende discutir o papel da história da arte no mais amplo terreno do conhecimento histórico, sua autonomia e sua vinculação à história e às demais disciplinas humanísticas, sem negligenciar, entretanto, o lugar da teoria e da crítica de arte nos estudos histórico-artísticos.

 

 

 

Ementa: O presente simpósio tem como objetivo proporcionar um encontro entre estudiosos que investiguem a construção do discurso histórico. A escrita da história na primeira modernidade apresenta, na sua forma e pelos topoi que mobiliza, especificidades que têm sido motivo de inquietação. Entre os aspectos que a caracterizam, o uso de fontes escritas e a construção de uma inédita noção de fonte transforma a narrativa, constituindo ainda um importante elemento na relação com o tempo. Assim, no Simposio em questão, pretende-se reunir trabalhos que discutam as implicações epistemológicas das escolhas narrativas assumidas nos mais diversos gêneros de escrita historiográfica. Pretende-se também reunir investigadores que pensem problematicamente os marcos da chamada modernidade, entendendo a relação com o tempo como algo que não se reduz a um recorte cronológico específico, mas que surge como problema e definição a partir das fontes historiográficas então trabalhadas.

 

 

 

Ementa: Ao longo do século vinte, as ciências humanas viveram um intenso processo de multiplicação de perspectivas e de referenciais teóricos. A complexidade característica das sociedades modernas passou a refletir-se, de maneira cada vez mais visível, no âmbito das disciplinas responsáveis pela reconstrução, compreensão e explicação dos processos históricos e sociais. Há cada vez menos consensos disponíveis, especialmente após a assim-chamada crise das “grandes narrativas”. Salta à vista que, a despeito de tudo isso, o conceito de linguagem ganhou centralidade em correntes que vão da filosofia de Wittgenstein à hermenêutica filosófica de Gadamer, da história dos conceitos de Koselleck à metaforologia de Blumenberg, do pensamento de Richard Rorty ao de Charles Taylor, passando ainda pela história das idéias da Escola de Cambridge. De que modo a noção de agência se aproxima da de linguagem, de forma a lançar uma nova luz sobre a construção simbólica do mundo? O conceito de “comunicação” (Habermas, Luhmann, Luckmann) pode se apresentar como uma alternativa contemporânea ao de linguagem? De que maneira a obra de clássicos como Herder, Sausurre e outros permite iluminar os problemas colocados ao pensamento histórico numa época em que as crises de sentido se tornaram uma das características centrais da experiência do homem contemporâneo? Este Simpósio Temático pretende constituir-se num fórum para um grande balanço sobre as formas por meio das quais a virada linguística produziu transformações no campo historiografico, as resistências que suscitou e os avanços mais recentes na discussão metahistorica a respeito.

 

 

 

Ementa: O Simpósio pretende discutir como as teorias filosóficas da linguagem, com suas noções de que o “mundo já se abre na linguagem” (Heidegger) e de que “não há nada para além do texto”, (Barthes) afetam as concepções teórico-historiográficas acerca do lugar da ação política. Procuraremos entender como o questionamento do conceito moderno de história, sobretudo a partir da ideia de que as grandes narrativas são versões da história, abre a possibilidade de visualizar uma história que não tem um sentido dado a priori; uma história em que os agentes históricos não estão cerceados por nenhuma determinação estrutural; uma história que se compõe de disputas interpretativas sobre a história.

Uma questão fundamental é refletir sobre o lugar privilegiado que o exame dos debates políticos, das disputas lingüísticas e da forma de construção das histórias e teorias adquire nesse momento em que ação e discurso se tornam equivalentes. Com a problematização de uma História em si, fica a historiografia encarregada de mapear, traçar a genealogia das diversas narrativas da história que estão em embate. A história surge como um processo de luta de várias interpretações da história, de modo que a disputa política se torna uma disputa linguística. Serão muito bem-vindos os trabalhos que discutam essa problemática da ação e do discurso, tais como os que tratem da questão do lugar social da produção historiográfica e da perspectiva de encarar a ação “como obra aberta”, sujeita a constantes interpretações e reinterpretações (Ricoeur). A renovação da história política, sua aproximação da esfera cultural, a intenção de contar histórias jamais contadas – dos injustiçados, dos anônimos – e descobrir novos atores históricos podem ser temáticas interessantes para pensar os impactos da “virada lingüística” na história da historiografia.

Numa acepção mais teórica, podemos perceber que o esvaziamento do conceito moderno de história acarreta uma espécie de congelamento da concepção de política. Não havendo mais um processo da história, mas diversas narrativas sobre a história, seria possível entender, como os críticos do pós-modernismo, que está em jogo uma perda do sujeito histórico. Se partirmos de Koselleck, a questão seria a contração do “horizonte de expectativas”, da capacidade de fazer história. No diagnóstico de Hartog, a constatação de um “presente hipertrofiado”. Nessa linha, o Simpósio está aberto àqueles que visam pensar a relação entre história e política, refletindo sobre a consciência histórica do tempo presente e da historiografia contemporânea.

 

 

 

Ementa: O simpósio temático “História, Historiografia e Região” tem o objetivo de congregar pesquisadores voltados para o estudo das identidades ou dos discursos regionais, constituídas e constituintes de projetos políticos e de formas de escrita do passado. Serão analisadas as relações entre os lugares de produção da escrita histórica (institutos históricos, academias literárias, grêmios intelectuais), seus agentes (bacharéis, jornalistas, políticos) e a composição de uma cultura historiográfica, assentada nos valores da tradição, nos mitos das origens, nos monumentos da memória coletiva – arquivos e museus. Trata-se, assim, de problematizar as possibilidades de uma historiografia de região, examinando as práticas dessa intelectualidade (historicista) que apreende o singular, o local, o descontínuo.

DIVULGAÇÃO CARTAZES OFICIAIS DOS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS – INSCRIÇÕES ATÉ 10 DE JUNHO

Divulgamos hoje uma série dos cartazes oficiais dos Simpósios Temáticos do 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia, que acontece em Mariana entre os dias 20 e 23 de agosto.

As inscrições podem ser feitas no site do 6SNHH até o dia 10 DE JUNHO.

Esperamos você em Mariana.

A Comissão Organizadora.

***

Ementa: Nas últimas décadas os estudos de recepção tem se constituído em importante e crescente área de especialização no âmbito dos estudos clássicos. Desde pelo menos o século XV observa-se um constante diálogo entre o pensamento político e historiográfico europeu com a tradição clássica, gerando apropriações e reinterpretações da forma e conteúdo da cultura greco-romana, em sua acepção mais ampla, isto é, não incluído apenas sua literatura, mas demais formas de expressão artística, como a pintura, a escultura, a arquitetura e padrões urbanísticos. Nas Américas, por sua vez, estudos cada vez mais apontam a recepção desse manancial clássico, utilizado como chave de leitura, seja para justificativa ou crítica de formas de trabalho compulsório, como a escravidão, seja para legitimar regimes políticos e práticas culturais. Particular interesse nesse campo de pesquisa reside na recepção da historiografia antiga no contexto americano e europeu para constituição de um saber histórico moderno ou na utilização em embates políticos visando temas específicos de cada Estado nacional. Este simpósio temático visa colaborar para a compreensão deste amplo fenômeno intelectual, reunindo pesquisadores interessados em discutir as diferentes apropriações da historiografia antiga no mundo moderno.

Ementa: A história da historiografia pode ser considerada como um dos campos mais promissores da pesquisa histórica contemporânea e cujos esforços recentes têm procurado precisar melhor objetos, problemas e abordagens do conhecimento histórico. Este Simpósio Temático pretende agrupar trabalhos realizados nesta perspectiva, integrando estudos referentes à historiografia oitocentista durante a primeira metade do século XIX, para discutir a formação da chamada história científica e acadêmica em diferentes países, analisando manifestações e linguagens da pesquisa histórica adotadas em diversos espaços e instituições. Visa também problematizar a relação entre a presentificação do passado e a urdidura das histórias produzidas naquele período, realizando uma reflexão sobre autores, obras, contextos e, sobretudo, as linguagens praticadas. Procura, por fim, estabelecer um diálogo entre formulações e narrativas mais tradicionais e o advento de novas formas de se escrever e de se pensar a história. Nesse sentido, serão oportunas comunicações que transitem pelos caminhos da biografia de historiadores oitocentistas, abordando obras pontuais ou conjuntos de obras em seu universo de referências e de influências, que se proponham a analisar a dimensão conceitual e discursiva das ideias históricas no período, que discutam correntes, abordagens, escolas e instituições de pesquisa histórica constituídos em diferentes lugares e, enfim, que promovam uma articulação entre o universo das ideias, dos sujeitos, das metodologias, dos lugares e das práticas que envolviam as manifestações do fazer historiográfico e da escrita da história no período em foco.

 

 

Ementa: A história tem uma dimensão pública que ultrapassa as fronteiras estabelecidas por sua investigação e escrita racionalmente delimitadas. Ela também é representada e ensinada por outros meios além dos textos consagrados por seu ensino escolar. Realiza-se nas instituições de memória com fins explicitamente pedagógicos, como os museus e o patrimônio, e através dos meios de massa, como o cinema, a televisão e a imprensa periódica. A difusão da história acontece na tensão entre as figurações sistemáticas e racionalizadas do passado com finalidades pedagógicas e sua representação delimitada pelos interesses ou gosto de um público.

Contemporaneamente, historiografia acadêmica e história ensinada se defrontam com a produção massiva do passado como resposta à nostalgia estrutural das sociedades que vivem a aceleração do tempo como uma crise de futuro.  A pesquisa e a didática da história realizada nas instituições escolares ou nas instituições de memória concorrem com outros discursos que apresentam efeitos de realidade mais efetivos, porque sustentados na visualidade e apreensão imediata das informações que caracterizam a cultura contemporânea.  Assim, a legitimidade que sustentava o discurso histórico como produto da investigação feita matéria de ensino vê-se colocada em questão: outras formas de apresentação da história parecem preencher as necessidades sociais de orientação temporal.

Não é mais possível pensar o ensino de história apenas a partir de sua formalização pedagógica. Dadas as condições contemporâneas, é preciso pensar o ensino de história em todas as suas dimensões – seja na escola, nas instituições de memória ou na universidade – a partir da ideia de que a história é ensinada para além do confinamento de uma disciplina. Acreditando que a história da historiografia pode contribuir para pensar o ensino de história, o simpósio se organiza em torno de um problema central: uma história da história ensinada que atente para as necessidades de orientação temporal de cada tempo. Problema que se desdobra em outros e objetos de investigação específicos: 1) a história da historiografia didática em sua relação com a historiografia acadêmica; 2) uma história das representações museológicas e patrimoniais da história e seu uso pela história escolar; 3) uma história das representações da história na cultura de massa – cinema, televisão, mercado editorial, imprensa periódica – e seu uso pela história escolar.

 

 

Ementa: Considerado como um gênero híbrido e impreciso, frequentemente situado entre a literatura e a ciência social, o “ensaio” oferece um desafio aos estudiosos da historiografia, sobretudo quando recebe o adjetivo “histórico”. Essa associação de termos, particularmente observável a partir do século XIX, quando a escrita da história busca estabelecer limites disciplinares nos contextos nacionais, permite propor algumas questões num seminário cujo tema maior é o chamado “giro linguístico”. Uma delas é saber que relação existe entre gêneros de escrita e determinados contextos culturais. Por exemplo, entre o “ensaio histórico” e o Brasil do século XIX e da primeira metade do século XX; entre o ensaísmo e a instituição de “objetos” como o povo, a mulher, o lendário ou a revolução, na França do XIX; entre uma forma associada a uma escrita aberta e inconclusa e a especialização da pesquisa universitária. Considerando o “ensaio histórico” menos como um gênero auto-evidente (na sua imprecisão) ou a demandar definição, e mais como um problema a ser tratado, propomos discutir – inspirados pela notória pergunta de  Michel de Certeau (1974/1975) – o que o ensaísta faz quando faz ensaios, particularmente, os ensaios históricos? O que busca? O que produz? Este simpósio temático acolherá estudos de caso, que focalizem ensaístas nacionais ou estrangeiros, bem como reflexões de ordem teórica sobre o ensaio enquanto gênero discursivo.

Ementa: Os novos lugares que a linguagem assumiu, ao longo dos quarenta anos desde a publicação de Trópicos do discurso, provocaram uma constante reorganização do significado, lugar e construção da matéria-prima da historiografia, o fato.

Na história da historiografia das ciências, a compreensão do fato científico tem se destacado como um dos temas caros ao campo, e presente nas obras de autores clássicos, como L. Fleck T. Kuhn e B. Latour. Determinar o que é, por exemplo, a ‘ ciência pronta’ e a ‘ciência em construção’, como pretende Latour, coloca como discussão central a noção de fato e de discurso.

Aproximando as inquietações que o Giro Linguístico provocou aos temas da historiografia das ciências, convidamos à discussão sobre o lugar que a noção de fato científico teve e tem nos estudos sociais sobre a ciência ao longo desse quase meio século.

Ementa: Assumir, como premissa teórica, a singularidade da experiência histórico-religiosa, também implica em reconhecer que linguagens e discursos que veiculam o sagrado – e paralelamente suscitam, por esta figuração, significados e práticas – apresentam-se como um viés privilegiado para a interpretação da vivência social da fé pela produção historiográfica. Dessa maneira, o historiador e teólogo Michel de Certeau, já nos anos 1970-80, ao promover estudos sobre a mística nos séculos XVI-XVII, não recorreu a uma abordagem serial apoiada na quantificação, nem a uma história das idéias pautada na pertença social dos vocábulos (embora não prescindisse de tais análises, quando existentes), mas priorizou a dimensão interlocutória da escrita crente, mediadora da relação dos sujeitos com a divindade. É neste sentido que Certeau, longe de definir o religioso como um repertório de crenças, articuladas em sistemas sócio-históricos, o considerava como um ato de crer, ou seja, “[...] investimento das pessoas em uma proposição, o ato de enunciá-la considerando-a verdadeira – noutros termos, uma ‘modalidade’ da afirmação e não seu conteúdo” (CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 278). Visa-se, portanto, neste Simpósio, compartilhar problemáticas e abordagens de pesquisa acerca das linguagens religiosas, em distintas expressões (escrita, iconográfica, de artefatos…), bem como sobre a ação discursiva, indissociável das intersubjetividades e das políticas institucionais. Busca-se, de forma simultânea, favorecer contatos interdisciplinares, em diálogo com outras disciplinas das áreas das ciências humanas, da filosofia e da teologia.

(Atenção: este Simpósio Temático atingiu o limite máximo de inscrições. Qualquer dúvida, entrar em contato pelo e-mail da secretaria do evento: pagamento_snhh@yahoo.com.br)

Ementa: Ao longo do século XIX, em diversas sociedades européias e americanas, a história alcançou o estatuto de disciplina científica autônoma. Instauraram-se espaços particulares, fossem universidades, sociedades e institutos, onde o historiador, como especialista e profissional, na posse de um conjunto de regras e procedimentos metódicos controláveis, tornava o passado um objeto a ser decifrado e conhecido.

No curso do século XX, a cientificidade do saber histórico, sua natureza e implicações epistemológicas, foram alvos de indagações variadas, afetando sobremaneira a produção historiográfica. Os fundadores e seguidores dos Annales, de certa maneira ao lado dos que abraçaram os referenciais marxistas, puseram em xeque as práticas e concepções dos metódicos, ditos positivistas, sem, contudo, abrir mão do caráter científico e do postulado de verdade que alicerçava a legitimidade do discurso do historiador. Em paralelo, nos saberes designados como ciências sociais, proliferaram críticas aos “historicismos”, em revisões de temas e abordagens que, de formas diferenciadas, contribuíram para o valor cada vez maior da história social.

Em especial, nas sociedades européias, mudanças significativas emergiram após a Segunda Grande Guerra, afetando gerações de pensadores e intelectuais. Insere-se nessa conjuntura, um conjunto de formulações, em diálogo com as filosofias da linguagem – destaque para a filosofia analítica britânica – e com a lingüística de Saussure, que, a partir de meados da década de sessenta, culminaram no chamado giro lingüístico. As implicações epistemológicas do giro lingüístico se fizeram sentir nas dimensões mais diferenciadas do campo das humanidades. Entre outras ponderações, o conceito de “representação”, caro a muitas formulações que se queriam decifradoras das ações humanas no mundo, entre elas a historiografia, cedia espaço para o conceito de “significado”.

O VI Seminário Brasileiro de História da Historiografia possui como tema O Giro-lingüístico e a Historiografia: balanço e perspectivas e abre espaço neste simpósio para a apresentação de trabalhos e reflexões que o abordem e problematizem sob diversas perspectivas. Pode-se, dessa forma, por em questão os afastamentos e similitudes entre textos historiográficos e literários, tendo em mente, por exemplo, a polêmica causada pela “Meta-história” de Hayden White. Ou, em outras bases, redimensionar o que veio a ser designado como o “retorno da narrativa”, nas considerações de Lawrence Stone. Em relevo, igualmente, a obra referencial de Paul Ricoeur – “Tempo e narrativa” – e o balanço sobre seus impactos e apropriações no campo da teoria e da escrita da história. Importante, em escala proporcional, a obra de Michel Foucault e a avaliação sobre seu caráter revolucionário – no ponto de vista de Paul Veyne -, quanto à renovação da historiografia.

Nestes termos, e no diagnóstico de suas especificidades, cabe considerar idéias do pós-estruturalismo – na alusão a Roland Barthes -, do “desconstrucionismo” de Derrida, e da hermenêutica de Gadamer, no mapeamento das críticas à cientificidade da história e suas repercussões. Outra visada importante se refere às abordagens do que foi denominado de “guinada subjetiva”, nas palavras de Beatriz Sarlo, contemplando-se, entre outros aspectos, os lugares e usos dos estudos biográficos e autobiográficos e a dita renovação da história política. Os desdobramentos destas polêmicas estão na raiz da chamada crise dos paradigmas, cujos efeitos, nos diversos domínios da escrita história, estimulam o ato de repensar o ofício do historiador, bem como seus desafios éticos, no regime de historicidade presentista, de acordo com a formulação de François Hartog.

A reunião de pesquisadores de variadas filiações teóricas será bem vinda, na busca por uma significativa experiência de discussões, estimuladora do diálogo e do confronto entre diversos pontos de vista e perspectivas de análise.

ÚLTIMA SEMANA DE INSCRIÇÕES – PRAZO FINAL 10 DE JUNHO

Caros,

No dia 10 de junho (próximo domingo) encerram-se as inscrições para o 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia. O tema deste ano é O GIRO-LINGUÍSTICO E A HISTORIOGRAFIA: BALANÇO E PERSPECTIVAS. 

Nesta edição, contamos com 13 Simpósios Temáticos, 1 Oficina de Ensino de História, Comunicações Livres para GRADUANDOS e 4 mini-cursos.

Durante esta semana divulgaremos os cartazes oficiais criados para cada uma das modalidades. Damos início com a publicação dos cartazes dos mini-cursos.

Para efetuar sua inscrição, acesse o site do 6SNHH.

 

 

Ementa: Este curso, de caráter introdutório, terá como objetivo traçar brevemente um panorama das possibilidades da hermenêutica. Para tal, abordaremos inicialmente, a partir das teorias de Johann Gustav Droysen, a afirmação da hermenêutica como uma metodologia científica.
Em um segundo momento, tentaremos apresentar alguns limites da hermenêutica oitocentista, tentando pensar o fenômeno da interpretação a partir das reflexões de Hans-Georg Gadamer sobre arte e as questões envolvendo os limites da interpretação no Holocausto, no qual o conceito de trauma ocupa um lugar importante.

 

Ementa: Traçar-se-á uma perspectiva crítica sobre a cultura histórica portuguesa contemporânea;  a partir de conceitos-chave e estratágias narrativas, estebelecer-se-ão nexos com os contextos sociais, políticos e institucionais em que se produziram os discursos (verbais e iconográficos) da história e com outras culturas históricas nacionais.
1. a historiografia em Portugal dos finais do século XVIII aos inícios do século XXI. Que  estratégias narrativas em confronto? (serão apresentados alguns excertos de textos)
2. a  estatuária urbana de Lisboa como exemplo de uma narrativa memorial; o Panteão Nacional (imagens em power- point)

 

Ementa: A noção de evento traumático tem servido como eixo analítico para fenômenos diversos da história recente, como o Holocausto, os genocídios e as ditadura militares. O fenômeno violento seria marca decisiva e chave analítica do século XX. Neste minicurso, proponho o debate dessa questão e a consideração da hipótese de que, conforme esse tempo presente se distancia, assume grande significado a idéia da frustração, tal como exemplificado pela análise da experiência brasileira.

 

(ATENÇÃO - Este mini-curso atingiu o limite máximo de inscritos. As inscrições para participação nele foram encerradas. Qualquer dúvida, entre em contato com o e-mail da secretaria do 6SNHH: pagamento_snhh@yahoo.com.br)

Ementa: O minicurso discutirá algumas dentre as possíveis aberturas existentes para se pensar as relações entre retórica, entendida como conjunto de técnicas e preceitos associados à composição discursiva, à argumentação e à arte da persuasão, e historiografia, compreendida, em sentido amplo, como escrita da história e reflexão sistemática sobre a escrita da história. Após uma breve introdução tratando do “giro linguístico” no âmbito das ciências humanas, aspecto decisivo para o “renascimento” do interesse pela retórica em meados do século XX, serão discutidas algumas formas de apropriação da retórica como chave interpretativa em campos como a história intelectual, história da arte, história literária, história social e história dos discursos políticos, com ênfase nas reflexões de quatro importantes historiadores do século XX: Dominick LaCapra, Giulio Carlo Argan, Erich Auerbach, Carlo Ginzburg e Quentin Skinner.

INSCRIÇÕES PRORROGADAS – 10 DE JUNHO

As inscrições para o 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia foram prorrogadas até o dia 10 de junho.

Destacamos que este ano alteramos a modalidade de apresentação de Graduandos de Painel de IC para Comunicação Livre.

Nesta edição, temos 13 Simpósios Temáticos, 4 Mini-Cursos e 1 Oficina de Formação de Professores.

Há inscrições também para ouvintes.

De 20 a 23 de agosto nos encontramos em Mariana!

Crise na educação e teoria da história: alguns apontamentos – Luisa Rauter

Leia abaixo o excelente texto escrito pela Profª Luisa Rauter sobre as possibilidades do uso da teoria da história na sala de aula em um momento de crise na educação. Luisa, junto com Valdei Araujo e Marcelo Rangel, oferecerá a Oficina de Formação de Professores: Teoria e escrita da história na sala de aula da educação básica dentro da programação do 6SNHH em agosto. 

*** 

A alegada crise na educação escolar é um fenômeno global nos dias de hoje. A indisciplina e desinteresse dos alunos, a falta de infra-estrutura dos estabelecimentos de ensino, o baixo salário dos professores e a falta de perspectivas da carreira são um tema recorrente no Brasil e no mundo. Como a teoria da história pode nos ajudar a compreender e desenvolver estratégias para lidar com esse fenômeno geral de grande importância para nosso destino?  Os aspectos sócio-econômicos e políticos em estrito senso desta crise, embora fundamentais, não esgotam a questão. É preciso entender esta crise também como uma das conseqüências de aspectos centrais da modernidade.

Como mostrou a filósofa alemã Hannah Arendt, a crise da educação guarda estreita relação com a forma como o mundo moderno passou a se relacionar com o passado e tradição legada, elementos fundamentais do processo de educação e formação das pessoas.  Não apenas a História, pela natureza de seu objeto, mas todas as disciplinas escolares são ancoradas na necessidade de transmissão de determinados conhecimentos, valores, formas de agir e pensar legados do passado. Sem negar a possibilidade e a necessidade de se criticar todos esses elementos em todo o momento que se julgar necessário, a educação supõe uma transmissão de algo de um passado que ainda é atual e necessário para a vida presente se concretizar e desenvolver. A própria atividade crítica pressupõe essa transmissão, fundamental para que as novas gerações sejam preparadas e inseridas no mundo.

O problema é que a modernidade tomou como seu lema o afastamento e a desconsideração de tudo o que vem da tradição como lugar da opressão e dos preconceitos a serem superados. A modernidade evocou a liberdade e os direitos dos indivíduos frente ao passado e à tradição. Sem poder, no entanto, abandonar o processo de formação das novas gerações que chegam ao mundo, manteve as instituições básicas para realizar essa tarefa essencial: a família e a escola, essencialmente. Porém, ao desconsiderar nosso vínculo com a tradição no ato educativo, enfraqueceu a legitimidade e a autoridade da escola. Num mundo que não valoriza o passado e a transmissão da sabedoria como seus elementos estruturantes, a escola vive um dilema, que Hannah Arendt resume da seguinte forma:

“O problema da educação no mundo moderno está no fato de que, por sua natureza, não poder esta abrir mão nem da autoridade, nem da tradição, e ser obrigada, apesar disso, a caminhar em um mundo que não é estruturado nem pela autoridade nem tampouco mantido coeso pela tradição” (Arendt, Hannah. “A Crise na Educação”. In Entre o Passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1997. p. 245)

Sem poder livrar-se de sua natureza formativa humanista, a escola se mantém como uma espécie de corpo estranho num mundo que valoriza cada vez menos seu papel fundamental, embora também não tenha podido encontrar outras formas de realizar o ato educativo. Na contemporaneidade, marcada pelo consumo desenfreado de bens, pelo bombardeamento de informações pelas mídias, por um tempo acelerado de atividades e eventos mecânicos e sem significado que não chegam a se transformar em sabedoria de vida para as novas gerações, a escola parece ter perdido seu lugar. Num tempo em que a formação intelectual humanística das pessoas cada vez parece menos importante frente à sua capacidade de executar performances técnicas imediatistas próprias à atividade capitalista atual, como justificar a existência da escola, lugar que teve historicamente o papel de realizar a transmissão crítica dos valores e experiências legados pelo passado? Em relação à disciplina histórica, a questão se torna crucial: como justificar o conhecimento de momentos históricos passados, de sociedades tão diferentes das nossas, de experiências de outras épocas e culturas, num mundo marcado pelo desinteresse pelo que não tem utilidade e valor de consumo imediato?

Entretanto, a escola está aí, e, até o momento, o mundo contemporâneo não encontrou outra forma de inserir as novas gerações na vida adulta e em comunidade. Assiste-se hoje em dia, ao menos no Brasil, a um movimento popular pela valorização da escola e do professor, o que resultou em iniciativas, como um piso salarial nacional, que, infelizmente, não se tornou uma realidade até o momento. A escola, entretanto, não deve nunca esquecer sua natureza e se deixar transformar em um local de apreensão de competências técnicas, como parece ser uma tendência, mas precisa manter sua vocação humana formativa frente a um mundo acelerado, consumista e tecnicista.  Como fazer isso, é a grande questão.

Um caminho inicial pode ser esboçado pela discussão no interior das escolas e das salas de aula de aspectos da experiência do tempo contemporânea: a aceleração do tempo, o “presentismo”, o consumismo, o tecnicismo. É preciso pensar atividades a serem realizadas pelos docentes da educação básica com seus alunos para tratar destes aspectos do mundo atual, o que pode ser uma contribuição para o movimento de repensar os rumos da escola, da educação contemporânea, em especial do ensino de história na educação básica.

Luisa Rauter

(Ilustração de Maurice Sendak (1928-2012) para o livro Where the wild things live)

Convite de Pedro Caldas para o mini-curso “Hermenêutica: da afirmação como um método aos seus limites atuais”.

Confiram o vídeo-convite do Prof. Pedro Caldas para o mini-curso que ele irá ministrar no 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia em agosto.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.